Resiliência é, mais uma vez, a palavra que se aplica melhor ao setor da construção para 2023. Depois dos anos de pandemia, veio a guerra na Ucrânia e um cenário macroeconómico que ficou, outra vez, “de pernas para o ar”, mas no qual a construção voltou a mostrar que consegue resistir e progredir.
Crescimento
Embora a um ritmo naturalmente mais desacelerado, a trajetória de crescimento do setor deverá permanecer ao longo deste ano. Em Portugal, a construção deverá apresentar variações positivas da sua produção pelo 7.º ano seguido, apesar dos constrangimentos operacionais apontados pelas empresas, como a instabilidade dos preços das matérias-primas, da energia e dos materiais de construção e a falta de mão de obra.
Posicionamento competitivo
No que diz respeito ao segmento das obras públicas, em 2023, muito dependerá de se estabelecer e cumprir o planeamento e calendarização dos projetos e proceder à sua contratualização. Além do PRR, que terá de alcançar um ritmo diferente, os recursos do Portugal 2020 devem ser plenamente utilizados até ao final deste ano.
Quanto ao segmento das obras particulares, a maioria dos indicadores tem revelado uma tendência de crescimento consolidado. O número de fogos novos licenciados deverá situar-se acima dos 30 mil, neste ano, o que significará o registo mais elevado desde 2008.
A Habitação foi assumida como uma prioridade estratégica do Governo, e estão previstos recursos importantes ao nível do PRR, mas o investimento privado continuará a ser maioritário.
E na Europa?
No espaço europeu, está a ser desenvolvida uma aposta clara num novo ciclo de investimento, que prevê a construção de mais e melhores infraestruturas e a qualificação dos edifícios, o que permite dinamizar a economia e concretizar as ambiciosas metas em matéria de transição digital e energética, em que Portugal não pode ficar atrás.
Eficiência energética
A promoção da reabilitação e o elevado custo energético trarão consigo um maior impulso de todos os elementos que ajudem a aumentar a eficiência energética: sistemas de isolamento térmico exterior e interior, fachadas ventiladas, sistemas de poupança de água, aparelhos de baixo consumo, utilização de energias renováveis… tudo elementos que estão constantemente a desenvolver-se e a melhorar, o que continuará a acontecer em 2023.
Construção industrializada
A necessidade de dar um maior impulso à sustentabilidade, digitalização e automação na construção continuará a colocar o modelo industrializado em destaque, tanto na construção nova como na reabilitação, graças às vantagens que traz: otimização dos tempos de produção, graças à criação em fábrica de todos ou de parte dos elementos de um edifício; redução do impacto ambiental da construção; e criação de empregos muito mais especializados, seguros, atrativos e inclusivos.